sexta-feira, 16 de março de 2012

Alex Capuano


E hoje a entrevista é com o Alex Capuano, brasileiro, paulistano, 37 anos, casado com Priscila e pai do Henry, estudou Sociologia e Política na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde atuou no movimento estudantil como presidente do Centro Acadêmico Florestan Fernandes. Trabalhou na Agência de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, no Instituto Observatório Social, período em coordenou o projeto Conexão Sindical e teve a oportunidade de dar cursos, palestras e participar de atividades como o Fórum Social Mundial, em quase todos os estados brasileiros e com alguma atuação internacional (Paraguai, Colômbia, Peru, África do Sul e Alemanha), atualmente é assessor na CUT - Central Única dos Trabalhadores. Realiza desde 2007 um trabalho comunitário na Associação Amigos do Parque São Francisco, Jardim Figueiredo e Adjacências e teve participação na organização da Conferência Municipal de Juventude, que por fim desenrolou na participação de jovens ferrazenses nas conferências estadual e nacional. Espero que curtam a entrevista, e conheçam um pouquinho mais sobre o Alex! Obrigada Alex pela oportunidade da entrevista, e por sempre estar passando uma lição de vida para todos nós!




Cáh: Quem é Alex Capuano (pessoal, profissional, social, política)?
Alex Capuano: As autodefinições são sempre perigosas, pois são inevitavelmente muito tendenciosas, mas posso dizer que sou um homem trabalhador, feliz e de muita sorte. Deus sempre foi muito generoso comigo. Tenho uma família linda, tive a sorte de reencontrar a Priscila, com quem estudei da 3° a 7° série, uma mulher incrível e uma companheira inigualável e temos o Henry, um carinha de 4 anos cheio de saúde e disposição (risos).
No campo acadêmico tive a oportunidade de estudar Sociologia e Política, um curso que me ajudou muito a entender um pouco melhor a sociedade que vivemos, suas mazelas sociais e como podemos intervir para transformá-la mais justa e igualitária. Durante esse período tive uma atuação relevante no movimento estudantil presidindo o Centro Acadêmico Florestan Fernandes, uma experiência importante, principalmente por proporcionar um aprofundamento interessante em dois temas que considero muito importantes: juventude e educação. 
Profissionalmente também não posso reclamar da minha sorte. Trabalhei na Agência da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, onde tive muito contato com os problemas da nossa região, em especial das questões ambientais, mas que normalmente vêm acompanhadas de problemas sociais.
Depois fui convidado para coordenar o projeto Conexão Sindical do Instituto Observatório Social. Foram 4 anos realizando formações e debates sobre o Uso Político das Novas Tecnologias em todo Brasil e algumas experiências internacionais, como na Colombia, Paraguai, Peru, África do Sul e Alemanha.
Atualmente tenho o privilégio de coordenar um projeto de mídias sociais da Central Única dos Trabalhadores, a CUT, a maior central sindical da América Latina e a quinta maior do mundo.

Cáh: Qual sua maior motivação de vida?
Alex Capuano:Tenho muitas motivações, quero que minha família tenha uma vida tranquila e digna, que meu filho possa se desenvolver integralmente como ser humano, mas isso não tem muito valor se as outras pessoas não tiverem as mesmas oportunidades. Por isso tenho uma grande motivação em trabalhar com projetos sociais e políticos com o objetivo de que todas as pessoas possam ter as mesmas oportunidades, independente de sua classe social, da cor de sua pele ou de sua crença.  Não me interessa uma sociedade desigual em que apenas aqueles que têm dinheiro têm educação de qualidade porque podem pagar uma boa escola particular, usufruem de um bom serviço de saúde porque tem um bom convênio médico e tem uma suposta segurança porque moram em condomínios fechados, principalmente quando temos clareza de que educação, saúde, moradia e segurança são direitos constitucionais para todo o povo brasileiro. Por isso trabalhar por uma sociedade menos desigual é uma grande motivação para mim.
Embora nos últimos 9 anos o Brasil tenha avançado muito na área social com programas de distribuição de renda como o Bolsa Família, na educação com o PROUNI, continuamos sendo um país com muitos problemas sociais que não podem ser resolvidos em um ou dois mandatos presidenciais, até porque não depende apenas do executivo, temos um legislativo, deputados e senadores, que muitas vezes atrapalha mais do que ajuda. Para que se tenha ideia do que estou falando, o Brasil tem hoje a 6° maior economia do mundo, mas ocupa a 84° colocação no Índice de Desenvolvimento Humano, precisamos crescer, mas distribuindo melhor a riqueza que geramos.

Cáh: A música em outros tempos teve grande importância em movimentos sociais e políticos. Você concorda? Nesta linha você tem alguma banda preferida ou artista?
Alex Capuano: Não apenas a música, mas a arte como um todo pode ser um poderoso instrumento de contestação social é política. No passado tivemos nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, entre outros, fazendo de sua música uma arma contra a ditadura e pela liberdade, assim como Glauber Rocha no cinema, Paulo Leminski com sua poesia crítica, Augusto Boal no Teatro do Oprimido e muitos outros. 
Recentemente vimos nos cinema filmes como o Central do Brasil, Cidade de Deus, Linha de Passe e a sequência Tropa de Elite fazendo críticas absolutamente pertinentes sobre o tipo de sociedade que vivemos. Na música o RAP dos Racionais MC´s, GOG, MV Bill, Criolo e outros manos e minas escancarando nossas desigualdades e os dilemas vividos nas periferias, assim como a poesia viva que estão cada vez mais forte em diversos saraus espalhados pelas periferias, como é o caso da Cooperifa liderada por Sérgio Vaz e mais perto da gente aqui em Suzano vemos nomes como Sacolinha, Cákis e Francis Gomes fazendo da literatura um instrumento de resistência.
Em Ferraz vale mencionar o belo trabalho desenvolvido pelo pessoal do Galpão Estúdio, assim como a galera do Graffiti que tem caras como o SMUP, e o rap de grupos como o VoluntariaMente, Prognóstico e Efeito Sonoro, assim como no campo da literatura o trabalho dos Amigos da Leitura merece ser olhado com muito respeito.

Cáh: Em uma oportunidade, percebi que participa da CUT (Central Única dos Trabalhadores), da juventude da cidade, faz trabalhos comunitários, e elabora vários projetos em prol da sociedade, como é poder participar efetivamente desse processo? Fale um pouquinho sobre eles:
Alex Capuano: Sou um entusiasta com os trabalhos sociais, principalmente quando seu objetivo é contribuir para que de alguma forma as pessoas sejam empoderadas e tenham clareza que são cidadãos, e como tal, detentores de direitos, entretanto, uma coisa é ter direitos no papel e outra é tê-los na prática em nosso cotidiano. No entanto cidadãos também são detentores de deveres e sempre digo que o maior dever dos cidadão é lutar por direitos. Para isso é necessário organizar-se e essa também é uma dimensão dos trabalhos que me envolvo. 
Tenho orgulho de ter participado da organização da Juventude CUTista que hoje ocupa um papel de destaque no movimento juvenil no país, no patamar de instituições como a União Nacional dos Estudantes, a UNE; a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, a UBES; e a Pastoral da Juventude. Ainda no movimento sindical pude contribuir com a organização da organização do Comitê da Juventude da Confederação Sindical das Américas, que envolveu jovens sindicalistas da América do Sul, Central e do Norte.
Em nossa cidade atuo na Associação Amigos do São Francisco, Jardim Figueiredo e Adjacências onde além de pautar o poder público sobre as demandas de nossa comunidade, temos desenvolvido atividades culturais como o Cine Debate e o Game e Hip Hop no São Francisco.
Com relação a nossa Juventude tive a oportunidade de participar da organização da 1ª Conferência Municipal de Juventude de Ferraz de Vasconcelos, onde mobilizamos uma grande quantidade de jovens para debater políticas públicas que são fundamentais para os jovens. O grande êxito dessa iniciativa foi a nossa participação com delegados nas conferências estadual e também da nacional. O mais interessante é que a nossa conferência acabou sendo um processo indutor da organização da juventude da cidade que agora trabalha pela criação do Conselho Municipal da Juventude, onde também tenho tentado contribuir para sua efetivação.

Cáh: Qual a maior motivação para ajudar as pessoas? E qual o maior resultado que obteve através dos seus trabalhos?
Alex Capuano: A maior motivação é almejar uma sociedade justa em que o Henry, assim como os filhos de um operário nordestino e as filhas de uma empregada doméstica negra tenham as mesmas oportunidades e o mesmo tratamento que os filhos de um empresário. Embora muita gente possa considerar isso uma utopia, não considero isso negativo. De qualquer forma as viagens internacionais que tive a oportunidade de fazer me permitiram ter a convicção de que se na Alemanha vemos os filhos dos operários estudando nas mesmas escolas que os filhos dos seus patrões, aqui também é possível.

Cáh: Como surgiu a ideia de poder ajudar a Associação Amigos do São Francisco? Como é poder fazer parte de um projeto comunitário que ajuda as pessoas de um bairro e suas adjacências?
Alex Capuano: Eu sempre busquei participar e contribuir com trabalhos sociais e acredito que o a organização e atuação comunitário esteja entre os trabalhos mais importantes, e dos mais difíceis também, assim sendo assim que cheguei em Ferraz de Vasconcelos em 2006 fui procurar se havia no bairro uma associação de moradores, comecei a frequentar as reuniões e lá estou até hoje tentando desenvolver um trabalho que favoreça nossa comunidade.


Cáh:  Qual foi o maior projeto que realizou?

Alex Capuano: Bem, já falei sobre alguns projetos em que tive a honra e o orgulho de fazer parte, mas sem dúvidas o maior e mais importante projeto da minha vida é a constituição da minha família, mas esse é um projeto permanente, temos que realizá-lo diariamente, alimentando com cuidado e muito Amor.

Cáh: É difícil conciliar os trabalhos, com a sua vida pessoal? Qual a maior dificuldade que enfrenta enquanto a isso?
Alex Capuano: Cah, isso realmente não é fácil, como já disse eu sou um homem de muita sorte, pois tenho uma esposa que é uma grande companheira, inteligente, politizada e que compreende e considera que o trabalho que estamos realizando é importante para o futuro de nossa sociedade como um todo e nós fazemos parte desse todo. 

Cáh: Qual a maior lição de vida, que pode levar e compartilhar com as pessoas ao longo desses anos?
Alex Capuano: Nomes como Nelson Mandela em sua luta contra o Apartheid,  Simone de Beauvoir  pelos direitos das mulheres, Che Guevara que lutou por um mundo mais justo e Gandhi, que lutou pela independência da Índia, nos deixaram ensinamentos importantes, pois colocaram os interesses coletivos a frente dos seus próprios interesses. No Brasil, independente das preferências políticas acho que o Lula por sua história de vida deixou uma lição fundamental, se ele chegou a Presidência da República, eu e você também podemos.

Cáh: Deixe uma mensagens aos leitores, admiradores, amigos ....
Alex Capuano: Primeiramente quero dizer que é muito legal esse trabalho que você tem feito, sem dúvidas tem muita relação com o trabalho que eu desenvolvo para o uso das tecnologias como forma de informar as pessoas sobre temas sociais e políticos, sinto-me lisonjeado e muito grato por ter convidado. 
Para os nossos leitores, principalmente da nossa cidade, quero dizer que acreditem ser possível transformarmos Ferraz de Vasconcelos em um lugar melhor, um lugar em que todos teremos orgulho de viver, mas para isso é importante que nos envolvamos nas lutas sociais e estejamos muito atentos e nas eleições não se deixem enganar com a velha ideia de que todos os políticos são iguais, isso é tudo o que os maus políticos querem que acreditemos, as eleições estão chegando e esse será o momento da virada, da renovação por uma cidade melhor para todos.

Um comentário:

  1. Cah, é muito legal fazer parte desse seu trabalho, obrigado pela oportunidade. Vejo uma grande jornalista se formando.

    Beijos,
    Alex Capuano

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