sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Fernando Anitelli

Antes de se apresentar dia 16 de setembro, em Florianópolis, levando o show A Sociedade do Espetáculo a Itapema FM conversou com Fernando Anitelli, idealizador e vocalista do grupo, para saber mais sobre o show, o álbum, e as perspectivas da banda para o ano que vem. Confira na entrevista exclusiva: Via DiárioCatarinense.


Itapema FM - Como você descreveria o show do Teatro Mágico para alguém que nunca viu a banda ao vivo?
Fernando Anitelli - O show do Teatro Mágico é essencialmente uma apresentação musical: é uma banda, mas uma banda em que os músicos estão transfigurados em personagens. No show acontecem intervenções teatrais, circences, de poesia; mas sempre de acordo com as músicas. O movimento é uma extensão da palavra. E nos nossos shows sempre tem gente de tudo quanto é tipo: você vê um cara com uma camiseta do Ozzy, outro com uma boina reggae, um casal de namorados, um casal de namoradas... E é um público que interage muito. De repente a gente está em certo ponto do show e alguém da plateia levanta e declama uma poesia que escreveu. Tudo isso acontece em um show do Teatro Mágico.
Itapema FM - Não é a primeira vez que vocês vêm se apresentar em Floripa. Como foi a outra passagem de vocês por aqui?
Fernando Anitelli - Foi muito legal, o público de Floripa é um público que recebe o Teatro Mágico muito bem. E Floripa tem essa coisa de Ilha da Magia, de um lugar encantado, né? É um mundo mágico. Quando eu estou em Floripa, se não tenho tempo de pisar na areia, no mar, eu pelo menos corro para abraçar uma árvore, procurar um duende, algo assim. (risos) Mas dessa vez eu já fiz minha agenda: a gente tem um show em Caxias do Sul depois, mas, até o dia do show, eu vou ficar em Floripa. Quero voltar com a bunda cheia de areia. (risos)
Itapema FM - O show que vocês trazem para Floripa desta vez é do CD A Sociedade do Espetáculo, que é o terceiro da carreira do Teatro Mágico. Qual é a diferença deste CD para os anteriores, Entrada Para Raros e Segundo Ato? Como você descreveria a evolução musical da banda ao longo desse tempo?
Fernando Anitelli - O primeiro álbum foi experimentação, foi feito de uma maneira bem improvisada. Ele tem músicas que eu já tinha escrito há anos... Eu fui chamando amigos que eu conhecia de saraus... Demorou um ano para ser concluído. E ele reflete esse clima; as músicas do CD são bem aquelas músicas para cantar com os amigos em volta de uma fogueira, sabe? Já o segundo CD tem um peso maior, é mais crítico, mais urbano, pintado em tons pastéis. É como se a inocência do primeiro álbum tivesse acabado. A gente questiona muita coisa; as músicas falam sobre a mecanização das pessoas no meio de trabalho, coisas assim. E eu acho que A Sociedade do Espetáculo é uma mescla dos dois. Ele é mais maduro, nas letras, nos arranjos; a gente conseguiu misturar crítica com poesia. E esse amadurecimento é bom, é bacana jamais fazer a mesma coisa. Não é porque alguma coisa funcionou que a gente tem que repetir. Senão você acaba fazendo cover de si mesmo.
Itapema FM - E os três CDs foram concebidos como uma trilogia, certo?
Fernando Anitelli - Sim, a gente tinha essa ideia de fechar uma trilogia. Acho que é essa coisa meio do cinema, né? A gente cresce vendo Star Wars, Indiana Jones; a gente também quer ter a nossa trilogia. A trilogia se fechou, mas o projeto não acaba por isso. O George Lucas não fez outra trilogia depois da trilogia dele? O último filme do Harry Potter não teve uma segunda parte? (risos) Nós já estamos com perspectiva de álbum novo e turnê nova para o ano que vem... Sempre há um pouco mais para se contar. Em novembro, no dia 2, nós vamos gravar um DVD no Credicard Hall, e queremos lançar em uma caixa com os três CDs; meio que reunir a história do Teatro Mágico em um pacote.
Itapema FM - Desde 2003, quando a banda começou, o público e o alcance do Teatro Mágico cresceram muito; e agora vocês são conhecidos em todo o país. Como vocês sentem isso? Quais são as diferenças do início da carreira para agora?
Fernando Anitelli - Bom, o nosso sucesso não foi uma surpresa, porque ninguém fica trancado três meses dentro de casa e de repente sai de lá como um artista consagrado, certo? Nós crescemos gradativamente, fazendo um trabalho de formiguinha. A gente conhece bem o nosso público, ao vivo e por meio das redes sociais, e foi se envolvendo com movimentos que tinham a ver com o Teatro Mágico, conquistando o público pouco a pouco. Passamos de 300 pessoas para mil pessoas, depois para 5 mil, depois já eram 40 mil pessoas, no nosso show na Virada Cultural. Conseguimos manter o pé no chão porque nada aconteceu da noite para o dia.

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