E hoje a entrevista é com o Alex Capuano, brasileiro,
paulistano, 37 anos, casado com Priscila e pai do Henry, estudou Sociologia e
Política na Escola de Sociologia e Política de São
Paulo, onde atuou no movimento estudantil como presidente do Centro Acadêmico
Florestan Fernandes. Trabalhou na Agência de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê,
no Instituto Observatório Social, período em coordenou o projeto Conexão
Sindical e teve a oportunidade de dar cursos, palestras e participar de
atividades como o Fórum Social Mundial, em quase todos os estados brasileiros e
com alguma atuação internacional
(Paraguai, Colômbia, Peru, África
do Sul e Alemanha), atualmente é assessor na CUT - Central Única dos
Trabalhadores. Realiza desde 2007 um trabalho comunitário na Associação Amigos
do Parque São Francisco, Jardim Figueiredo e Adjacências e teve participação na
organização da Conferência Municipal de Juventude, que por fim desenrolou na
participação de jovens ferrazenses nas conferências estadual e nacional. Espero que curtam a entrevista, e conheçam um pouquinho mais sobre o Alex! Obrigada Alex pela oportunidade da entrevista, e por sempre estar passando uma lição de vida para todos nós!
Cáh: Quem é Alex Capuano (pessoal, profissional,
social, política)?
Alex Capuano: As
autodefinições são sempre perigosas, pois são inevitavelmente muito
tendenciosas, mas posso dizer que sou um homem trabalhador, feliz e de muita
sorte. Deus sempre foi muito generoso comigo. Tenho uma família linda, tive a
sorte de reencontrar a Priscila, com quem estudei da 3° a 7° série, uma mulher
incrível e uma companheira inigualável e temos o Henry, um carinha de 4 anos
cheio de saúde e disposição (risos).
No campo
acadêmico tive a oportunidade de estudar Sociologia e Política, um curso que me
ajudou muito a entender um pouco melhor a sociedade que vivemos, suas mazelas
sociais e como podemos intervir para transformá-la mais justa e igualitária.
Durante esse período tive uma atuação relevante no movimento estudantil
presidindo o Centro Acadêmico Florestan Fernandes, uma experiência importante,
principalmente por proporcionar um aprofundamento interessante em dois temas
que considero muito importantes: juventude e educação.
Profissionalmente
também não posso reclamar da minha sorte. Trabalhei na Agência da Bacia
Hidrográfica do Alto Tietê, onde tive muito contato com os problemas da nossa
região, em especial das questões ambientais, mas que normalmente vêm
acompanhadas de problemas sociais.
Depois fui
convidado para coordenar o projeto Conexão Sindical do Instituto Observatório
Social. Foram 4 anos realizando formações e debates sobre o Uso Político das
Novas Tecnologias em todo Brasil e algumas experiências internacionais, como na
Colombia, Paraguai, Peru, África do Sul e Alemanha.
Atualmente
tenho o privilégio de coordenar um projeto de mídias sociais da Central Única
dos Trabalhadores, a CUT, a maior central sindical da América Latina e a quinta
maior do mundo.
Cáh: Qual sua
maior motivação de vida?
Alex Capuano:Tenho muitas
motivações, quero que minha família tenha uma vida tranquila e digna, que meu
filho possa se desenvolver integralmente como ser humano, mas isso não tem
muito valor se as outras pessoas não tiverem as mesmas oportunidades. Por isso
tenho uma grande motivação em trabalhar com projetos sociais e políticos com o
objetivo de que todas as pessoas possam ter as mesmas oportunidades,
independente de sua classe social, da cor de sua pele ou de sua crença.
Não me interessa uma sociedade desigual em que apenas aqueles que têm
dinheiro têm educação de qualidade porque podem pagar uma boa escola
particular, usufruem de um bom serviço de saúde porque tem um bom convênio
médico e tem uma suposta segurança porque moram
em condomínios fechados, principalmente quando temos clareza de que
educação, saúde, moradia e segurança são direitos constitucionais para todo o
povo brasileiro. Por isso trabalhar por uma sociedade menos desigual é uma
grande motivação para mim.
Embora nos
últimos 9 anos o Brasil tenha avançado muito na área social com programas de
distribuição de renda como o Bolsa Família, na educação com o PROUNI,
continuamos sendo um país com muitos problemas sociais que não podem ser
resolvidos em um ou dois mandatos presidenciais, até porque não depende apenas
do executivo, temos um legislativo, deputados e senadores, que muitas vezes
atrapalha mais do que ajuda. Para que se tenha ideia do que estou falando, o
Brasil tem hoje a 6° maior economia do mundo, mas ocupa a 84° colocação no
Índice de Desenvolvimento Humano, precisamos crescer, mas distribuindo melhor a
riqueza que geramos.
Cáh: A música em
outros tempos teve grande importância em movimentos sociais e políticos. Você
concorda? Nesta linha você tem alguma banda preferida ou artista?
Alex Capuano: Não apenas a
música, mas a arte como um todo pode ser um poderoso instrumento de contestação
social é política. No passado tivemos nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso,
Gilberto Gil, Geraldo Vandré, entre outros, fazendo de sua música uma arma
contra a ditadura e pela liberdade, assim como Glauber Rocha no cinema, Paulo Leminski
com sua poesia crítica, Augusto Boal no Teatro do Oprimido e muitos
outros.
Recentemente
vimos nos cinema filmes como o Central do Brasil, Cidade de Deus, Linha de
Passe e a sequência Tropa de Elite fazendo críticas absolutamente pertinentes
sobre o tipo de sociedade que vivemos. Na música o RAP dos Racionais MC´s, GOG,
MV Bill, Criolo e outros manos e minas escancarando nossas desigualdades e os
dilemas vividos nas periferias, assim como a poesia viva que estão cada vez
mais forte em diversos saraus espalhados pelas periferias, como é o caso da
Cooperifa liderada por Sérgio Vaz e mais perto da gente aqui em Suzano vemos
nomes como Sacolinha, Cákis e Francis Gomes fazendo da literatura um
instrumento de resistência.
Em Ferraz
vale mencionar o belo trabalho desenvolvido pelo pessoal do Galpão Estúdio,
assim como a galera do Graffiti que tem caras como o SMUP, e o rap de grupos
como o VoluntariaMente, Prognóstico e Efeito Sonoro, assim como no campo da
literatura o trabalho dos Amigos da Leitura merece ser olhado com muito
respeito.
Cáh: Em uma
oportunidade, percebi que participa da CUT (Central Única dos Trabalhadores),
da juventude da cidade, faz trabalhos comunitários, e elabora vários projetos
em prol da sociedade, como é poder participar efetivamente desse processo? Fale
um pouquinho sobre eles:
Alex Capuano: Sou um
entusiasta com os trabalhos sociais, principalmente quando seu objetivo é
contribuir para que de alguma forma as pessoas sejam empoderadas e tenham
clareza que são cidadãos, e como tal, detentores de direitos, entretanto, uma
coisa é ter direitos no papel e outra é tê-los na prática em nosso cotidiano.
No entanto cidadãos também são detentores de deveres e sempre digo que o maior
dever dos cidadão é lutar por direitos. Para isso é necessário organizar-se e
essa também é uma dimensão dos trabalhos que me envolvo.
Tenho orgulho
de ter participado da organização da Juventude CUTista que hoje ocupa um papel
de destaque no movimento juvenil no país, no patamar de instituições como a
União Nacional dos Estudantes, a UNE; a União Brasileira dos Estudantes
Secundaristas, a UBES; e a Pastoral da Juventude. Ainda no movimento sindical
pude contribuir com a organização da organização do Comitê da Juventude da
Confederação Sindical das Américas, que envolveu jovens sindicalistas da
América do Sul, Central e do Norte.
Em nossa
cidade atuo na Associação Amigos do São Francisco, Jardim Figueiredo e
Adjacências onde além de pautar o poder público sobre as demandas de nossa
comunidade, temos desenvolvido atividades culturais como o Cine Debate e o Game
e Hip Hop no São Francisco.
Com relação a
nossa Juventude tive a oportunidade de participar da organização da 1ª
Conferência Municipal de Juventude de Ferraz de Vasconcelos, onde mobilizamos
uma grande quantidade de jovens para debater políticas públicas que são
fundamentais para os jovens. O grande êxito dessa iniciativa foi a nossa
participação com delegados nas conferências estadual e também da nacional. O
mais interessante é que a nossa conferência acabou sendo um processo indutor da
organização da juventude da cidade que agora trabalha pela criação do Conselho
Municipal da Juventude, onde também tenho tentado contribuir para sua
efetivação.
Cáh: Qual a
maior motivação para ajudar as pessoas? E qual o maior resultado que obteve
através dos seus trabalhos?
Alex Capuano: A maior
motivação é almejar uma sociedade justa em que o Henry, assim como os filhos de
um operário nordestino e as filhas de uma empregada doméstica negra tenham as
mesmas oportunidades e o mesmo tratamento que os filhos de um empresário.
Embora muita gente possa considerar isso uma utopia, não considero isso
negativo. De qualquer forma as viagens internacionais que tive a oportunidade
de fazer me permitiram ter a convicção de que se na Alemanha vemos os filhos
dos operários estudando nas mesmas escolas que os filhos dos seus patrões, aqui
também é possível.
Cáh: Como surgiu
a ideia de poder ajudar a Associação Amigos do São Francisco? Como é poder
fazer parte de um projeto comunitário que ajuda as pessoas de um bairro e suas
adjacências?
Alex Capuano: Eu sempre
busquei participar e contribuir com trabalhos sociais e acredito que o a
organização e atuação comunitário esteja entre os trabalhos mais importantes, e
dos mais difíceis também, assim sendo assim que cheguei em Ferraz de Vasconcelos
em 2006 fui procurar se havia no bairro uma associação de moradores, comecei a
frequentar as reuniões e lá estou até hoje tentando desenvolver um trabalho que
favoreça nossa comunidade.
Cáh: Qual foi o maior projeto que realizou?
Alex Capuano: Bem, já falei
sobre alguns projetos em que tive a honra e o orgulho de fazer parte, mas sem
dúvidas o maior e mais importante projeto da minha vida é a constituição da
minha família, mas esse é um projeto permanente, temos que realizá-lo
diariamente, alimentando com cuidado e muito Amor.
Cáh: É difícil
conciliar os trabalhos, com a sua vida pessoal? Qual a maior dificuldade que
enfrenta enquanto a isso?
Alex Capuano: Cah, isso
realmente não é fácil, como já disse eu sou um homem de muita sorte, pois tenho
uma esposa que é uma grande companheira, inteligente, politizada e que
compreende e considera que o trabalho que estamos realizando é importante para
o futuro de nossa sociedade como um todo e nós fazemos parte desse todo.
Cáh: Qual a
maior lição de vida, que pode levar e compartilhar com as pessoas ao longo
desses anos?
Alex Capuano: Nomes como
Nelson Mandela em sua luta contra o Apartheid,
Simone de Beauvoir pelos direitos
das mulheres, Che Guevara que lutou por um mundo mais justo e Gandhi, que lutou
pela independência da Índia, nos deixaram ensinamentos importantes, pois
colocaram os interesses coletivos a frente dos seus próprios interesses. No
Brasil, independente das preferências políticas acho que o Lula por sua
história de vida deixou uma lição fundamental, se ele chegou a Presidência da
República, eu e você também podemos.
Cáh: Deixe uma
mensagens aos leitores, admiradores, amigos ....
Alex Capuano: Primeiramente
quero dizer que é muito legal esse trabalho que você tem feito, sem dúvidas tem
muita relação com o trabalho que eu desenvolvo para o uso das tecnologias como
forma de informar as pessoas sobre temas sociais e políticos, sinto-me
lisonjeado e muito grato por ter convidado.
Para os
nossos leitores, principalmente da nossa cidade, quero dizer que acreditem ser
possível transformarmos Ferraz de Vasconcelos em um lugar melhor, um lugar em que
todos teremos orgulho de viver, mas para isso é importante que nos envolvamos
nas lutas sociais e estejamos muito atentos e nas eleições não se deixem
enganar com a velha ideia de que todos os políticos são iguais, isso é tudo o
que os maus políticos querem que acreditemos, as eleições estão chegando e esse
será o momento da virada, da renovação por uma cidade melhor para todos.

Cah, é muito legal fazer parte desse seu trabalho, obrigado pela oportunidade. Vejo uma grande jornalista se formando.
ResponderExcluirBeijos,
Alex Capuano