Itapema FM - Como você descreveria o show do Teatro Mágico para alguém que nunca viu a banda ao vivo?
Fernando
Anitelli - O
show do Teatro Mágico é essencialmente uma apresentação musical: é uma banda,
mas uma banda em que os músicos estão transfigurados em personagens. No show
acontecem intervenções teatrais, circences, de poesia; mas sempre de acordo com
as músicas. O movimento é uma extensão da palavra. E nos nossos shows sempre tem
gente de tudo quanto é tipo: você vê um cara com uma camiseta do Ozzy, outro
com uma boina reggae, um casal de namorados, um casal de namoradas... E é um
público que interage muito. De repente a gente está em certo ponto do show e
alguém da plateia levanta e declama uma poesia que escreveu. Tudo isso acontece
em um show do Teatro Mágico.
Itapema
FM - Não é
a primeira vez que vocês vêm se apresentar em Floripa. Como foi a outra
passagem de vocês por aqui?
Fernando
Anitelli - Foi
muito legal, o público de Floripa é um público que recebe o Teatro Mágico muito
bem. E Floripa tem essa coisa de Ilha da Magia, de um lugar encantado, né? É um
mundo mágico. Quando eu estou em Floripa, se não tenho tempo de pisar na areia,
no mar, eu pelo menos corro para abraçar uma árvore, procurar um duende, algo
assim. (risos) Mas dessa vez eu já fiz minha agenda: a gente tem um show em
Caxias do Sul depois, mas, até o dia do show, eu vou ficar em Floripa. Quero
voltar com a bunda cheia de areia. (risos)
Itapema
FM - O
show que vocês trazem para Floripa desta vez é do CD A
Sociedade do Espetáculo, que é o terceiro da carreira do Teatro
Mágico. Qual é a diferença deste CD para os anteriores, Entrada
Para Raros e Segundo
Ato? Como você descreveria a evolução musical da banda ao longo
desse tempo?
Fernando
Anitelli - O
primeiro álbum foi experimentação, foi feito de uma maneira bem improvisada.
Ele tem músicas que eu já tinha escrito há anos... Eu fui chamando amigos que
eu conhecia de saraus... Demorou um ano para ser concluído. E ele reflete esse
clima; as músicas do CD são bem aquelas músicas para cantar com os amigos em
volta de uma fogueira, sabe? Já o segundo CD tem um peso maior, é mais crítico,
mais urbano, pintado em tons pastéis. É como se a inocência do primeiro álbum
tivesse acabado. A gente questiona muita coisa; as músicas falam sobre a
mecanização das pessoas no meio de trabalho, coisas assim. E eu acho que A
Sociedade do Espetáculo é
uma mescla dos dois. Ele é mais maduro, nas letras, nos arranjos; a gente
conseguiu misturar crítica com poesia. E esse amadurecimento é bom, é bacana
jamais fazer a mesma coisa. Não é porque alguma coisa funcionou que a gente tem
que repetir. Senão você acaba fazendo cover de si mesmo.
Itapema
FM - E os
três CDs foram concebidos como uma trilogia, certo?
Fernando
Anitelli - Sim,
a gente tinha essa ideia de fechar uma trilogia. Acho que é essa coisa meio do
cinema, né? A gente cresce vendo Star Wars, Indiana
Jones; a gente também quer ter a nossa trilogia. A trilogia se
fechou, mas o projeto não acaba por isso. O George Lucas não fez outra trilogia
depois da trilogia dele? O último filme do Harry Potter não teve uma segunda
parte? (risos) Nós já estamos com perspectiva de álbum novo e turnê nova para o
ano que vem... Sempre há um pouco mais para se contar. Em novembro, no dia 2,
nós vamos gravar um DVD no Credicard Hall, e queremos lançar em uma caixa com
os três CDs; meio que reunir a história do Teatro Mágico em um pacote.
Itapema
FM - Desde
2003, quando a banda começou, o público e o alcance do Teatro Mágico cresceram
muito; e agora vocês são conhecidos em todo o país. Como vocês sentem isso?
Quais são as diferenças do início da carreira para agora?
Fernando
Anitelli - Bom,
o nosso sucesso não foi uma surpresa, porque ninguém fica trancado três meses
dentro de casa e de repente sai de lá como um artista consagrado, certo? Nós
crescemos gradativamente, fazendo um trabalho de formiguinha. A gente conhece
bem o nosso público, ao vivo e por meio das redes sociais, e foi se envolvendo
com movimentos que tinham a ver com o Teatro Mágico, conquistando o público
pouco a pouco. Passamos de 300 pessoas para mil pessoas, depois para 5 mil,
depois já eram 40 mil pessoas, no nosso show na Virada Cultural. Conseguimos
manter o pé no chão porque nada aconteceu da noite para o dia.

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